the art of saying no
how boundaries shape identity

Essa edição é, acima de tudo, sobre seleção.
Eu quis falar sobre o poder do “não”, e a verdade é que ele é só o ponto de partida. O sim e o não podem delimitar vidas. Quando você começa a responder sim ou não com direção você começa a selecionar melhor e tudo muda. A forma como você ama muda. A forma como você trabalha muda. O que você veste muda. O que você consome muda. Até o que você tolera muda.
A moda que me chamou atenção não foi por excesso — foi por detalhe. O livro que eu indiquei não é leve — é verdadeiro. O filme não fala sobre pressa — fala sobre consciência. E o céu dessas semanas também pede exatamente isso: menos automático, mais intenção.
Nada aqui é sobre fechar portas.
É sobre escolher quais você realmente quer atravessar.
Sempre fui de fazer tudo com critério. Escolher.
Mas no fim disso aqui, quero que você entenda que dizer não não diminui sua vida —
define ela.
Att, Nathália :)

o poder do não: porque selecionar é o que constrói valor
E se você dissesse sim para tudo?
Ok. Eu sempre fui do time de agarrar as oportunidades. Mas as certas.
Existe uma diferença muito sutil entre estar aberta ao mundo e estar disponível demais para ele. Durante muito tempo, eu ouvi as pessoas dizendo que dizer sim era sinônimo de coragem. E, de certa forma, é. Mas só quando existe critério.
Imagina só aceitar todos os convites, dizer sim para todas as pessoas interessadas, para todas as conversas que começam, para todos os trabalhos que aparecem. À primeira vista, parece liberdade. Parece abundância. Parece até maturidade — alguém aberto ao mundo, às experiências, às possibilidades.
Mas será que é?
Porque quando tudo é aceito, nada é escolhido.
Existe um certo encanto em ser vista como alguém “de boa”, flexível, fácil. Alguém que topa, que entende, que não cria dificuldade. Só que, silenciosamente, isso começa a construir uma imagem perigosa: a de que você cabe em qualquer lugar. E quando você cabe em qualquer lugar, deixa de ocupar um lugar específico.
Porque ocupar um lugar específico exige posicionamento. Exige preferência. Exige dizer “isso combina comigo” e, principalmente, “isso não combina”. Quando você nunca impõe limites, nunca recusa, nunca filtra, você se molda ao ambiente — e não o contrário. Você se ajusta às expectativas, às vontades dos outros, às oportunidades que aparecem, mesmo que elas não estejam alinhadas com quem você quer se tornar.

Com o tempo, essa flexibilidade excessiva começa a custar identidade. Você passa a ser aceita em muitos espaços, mas raramente reconhecida por algo muito claro. Está em todos os lugares, mas não é essencial em nenhum. Porque o que é essencial tem forma. Tem contorno. Tem critério.
E critério incomoda.
Ele exclui possibilidades. Ele fecha portas. Ele cria ausência. Mas é justamente essa ausência que constrói presença. Quando você não está disponível para tudo, sua escolha passa a ter peso. Sua presença deixa de ser automática e passa a ser intencional.
O “não” é o que desenha contorno. Ele delimita. Ele cria forma. Sem ele, você vira um espaço amplo demais, onde qualquer coisa cabe. E quando qualquer coisa cabe, nada é realmente especial.
Pense em qualquer coisa que você valoriza de verdade. Um lugar, uma marca, uma pessoa, uma oportunidade. Existe critério ali. Existe seleção. Existe escassez. Nem todo mundo tem acesso. Nem tudo entra. Nem tudo permanece. É exatamente isso que constrói valor.
Na vida pessoal, funciona da mesma forma. Quando você aceita qualquer convite, qualquer tratamento, qualquer dinâmica, você comunica — mesmo sem querer — que não existe um padrão claro. E quando não existe padrão, não existe esforço para alcançar você.
O “não” cria expectativa. Cria respeito. Cria estrutura.
Ele não serve para afastar o mundo, mas para organizar o que entra nele.
Sem forma, tudo se mistura.
Com forma, existe identidade.
Selecionar exige consciência. Exige saber o que você gosta, o que você tolera, o que você não negocia. Exige reconhecer que cada escolha carrega uma renúncia. Porque toda vez que você diz sim para algo, automaticamente está dizendo não para outra coisa — inclusive para o seu próprio tempo.
Imagine alguém que está sempre disponível, sempre pronta, sempre acessível. Essa pessoa pode até ser querida — mas dificilmente será rara. E o que não é raro dificilmente é valorizado.
Isso vale para trabalho, amizades, oportunidades e, principalmente, relacionamentos. Quem aceita qualquer proposta, qualquer tratamento, qualquer dinâmica, ensina que não existe critério. E quando não existe critério, não existe conquista.

Dizer “não” não é afastar o que é para você. É afastar o que não combina com a sua direção.
É entender que maturidade não está em experimentar tudo, mas em escolher com intenção. Que não é sobre viver todas as possibilidades, mas sobre viver as certas. Que liberdade não é ausência de limite — é a capacidade de impor o próprio.
Sempre fui assim: saio distribuindo nãos. Não porque eu não goste das pessoas ou das oportunidades, mas porque eu aprendi cedo que, se eu não escolhesse por mim, alguém escolheria. Já tentei há muito tempo ser mais acessível, mais “de boa”, relevar algumas coisas, não ser tão complicada — e todas as vezes eu voltava para casa com a sensação de ter me abandonado um pouco.
Por muito tempo, achei que talvez eu fosse exigente demais com tudo. Mas hoje eu entendo que o que parecia excesso era, na verdade, clareza. Eu sei o que me move e sei o que me esvazia. E toda vez que eu digo não para o que não me representa, eu estou dizendo sim para a minha própria coerência. Pode parecer simples, mas não é. É uma escolha diária de não me diminuir para caber — e isso, para mim, sempre valeu mais do que ser facilmente aceita.
Sim. Talvez o verdadeiro poder não esteja em ser desejada por muitos.
Talvez esteja em ser acessível para poucos — e certa do porquê.
Porque quem sabe dizer não não se fecha para o mundo.
Ela apenas decide que nem tudo merece acesso.

vestir também é escolher!
A moda muda rápido. Mas o que realmente importa não é o que está mudando — é o que está sendo afirmado.
Entre cores que não passam despercebidas, marcas repensando identidade e colaborações inesperadas, essa semana deixou uma coisa clara: estilo, agora, é posicionamento.
Aqui vão três movimentos que dizem mais do que parecem:
O maximalismo em alta — o tom cobalt blue domina passarelas e red carpets
A cor azul cobalto está surgindo como protagonista nas semanas de moda, sinalizando um retorno ao maximalismo — uma temporada onde “mais é mais”, com looks vibrantes e cheios de personalidade em múltiplos desfiles ao redor do mundo.→ Confira na Hypen
Prada reinventa o layering no outono/inverno 2026
Em Milão, Miuccia Prada e Raf Simons apresentaram sua coleção Fall 2026 com uma abordagem inovadora de sobreposições: 15 modelos desfilaram vários looks em sequência, explorando como roupas podem acompanhar as nuances e identidades que mudam ao longo de um único dia.→ Veja na Vogue
Birkenstock + Etro: colaboração de designer no cenário de calçados
A Birkenstock firmou uma colaboração com a italiana Etro para destacar a clássica Boston clog na temporada Fall/Winter 2026 — uma aposta que conecta o conforto icônico da marca com o luxo e o artesanato refinado de uma casa de moda tradicional.
→ Leia na WWD
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uma marca que grita identidade: HISHA
Algumas marcas não começam a me chamar atenção do nada. Elas ficam ali, orbitando. Aparecem no meu radar antes mesmo de eu vestir. Foi assim com a Hisha.
Eu já observava as peças há um tempo — os bordados minuciosos, os detalhes que não parecem feitos às pressas, a construção que vai além do óbvio. Existe um cuidado ali que não grita, mas impõe presença. E, para mim, isso diz muito.
No carnaval, finalmente levei a marca para a minha própria narrativa. Usei uma das peças e, ao vivo, tudo fez ainda mais sentido. Os bordados captavam a luz de um jeito quase hipnótico, a modelagem valorizava sem esforço, e nada parecia descartável — mesmo em um contexto onde tudo é intenso e passageiro :)
E não fui só eu. Todas as produções que vi circulando eram belíssimas. Cada pessoa que vestia Hisha parecia ter escolhido aquilo com intenção, não apenas como look pra ocasião. Existia identidade. Existia estética. Existia construção.
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Talvez seja isso que me faz querer levar a marca comigo para além do carnaval. Não é só sobre um momento específico — é sobre peças que sustentam imagem. Que têm força suficiente para atravessar contextos diferentes sem perder personalidade.
Algumas roupas você usa.
Outras constroem presença.

Nessa edição quero indicar um livro diferente e que mexeu comigo de certa forma:
Munkey Diaries de Jane Birkin.
Eu sempre admirei a imagem da Jane — a estética despretensiosa que virou referência, o jeito aparentemente simples que redefiniu elegância. Mas o livro não é sobre isso. Ele desmonta o mito. Ele mostra a pessoa por trás da musa. E ela era intensa.
As páginas são feitas de anotações íntimas, pensamentos quase sussurrados, reflexões sobre amor, ciúmes, insegurança, paixão, criação. Não existe uma narrativa organizada tentando convencer você de algo. Existe vulnerabilidade crua. Existe alguém tentando entender os próprios sentimentos enquanto os vive.
E talvez seja por isso que ele seja tão minha cara. Porque ela não era calculada emocionalmente. Ela sentia primeiro, organizava depois. Amava sem manual. Sofria sem esconder. Criava no meio do caos.
Enquanto lia, eu pensava em como tantas mulheres aprendem cedo a moderar a própria intensidade. A falar menos do que sentem. A amar com cuidado demais para não parecer exagero. A se proteger para não parecer “difícil”.
Jane nunca pareceu interessada em parecer fácil.
Ela era contraditória, às vezes frágil, às vezes absurdamente forte. Uma mistura desconfortável de romantismo e independência. E essa mistura, ao invés de diminuir sua presença, a tornou inesquecível.
O livro me fez lembrar que sensibilidade não anula força. Que vulnerabilidade não diminui elegância. Que você pode amar arte, moda, estética — e ainda assim ser profunda, emocional, complexa.

E talvez eu esteja indicando ele para todas as meninas e mulheres que também vivem com o coração um pouco exposto. Para quem sente demais, pensa demais, ama demais — e às vezes se pergunta se deveria ser diferente.
Talvez não.
Talvez ser assim seja exatamente o que constrói quem a gente é.

se não tivesse essa parte, não seria eu.
on screen: Meet Joe Black
É um filme que fica na cabeça das pessoas, e não só porque tem o Brad Pitt rs.
A premissa é simples e ao mesmo tempo gigante: a Morte resolve experimentar a vida antes de levar alguém embora. Só que o filme não é sobre fantasia. É sobre consciência.
Ele é longo. Lento. Cheio de pausas. E eu acho que isso é proposital. Porque ele obriga você a ficar ali. A prestar atenção nas conversas. Nos detalhes. No jeito como os personagens falam sobre trabalho, família, legado, amor.
Não é um romance comum. Não é sobre paixão avassaladora. É sobre profundidade. Sobre escolher alguém com calma. Sobre entender que amar também é responsabilidade.
O que mais mexeu comigo foi essa ideia: a gente vive como se tivesse todo o tempo do mundo. Adia conversas. Adia decisões. Adia declarações. E o filme meio que sussurra — você não tem tanto tempo assim.
E isso não é mórbido. É lúcido.

Tem uma maturidade ali que eu gosto muito. O pai que sabe que construiu uma vida sólida. A filha que precisa entender o que é amor de verdade e o que é apenas encanto. E a própria Morte, aprendendo que viver é muito mais complexo do que simplesmente existir.
É um filme elegante. Sem exagero. Sem drama performático. Ele confia no silêncio.
Talvez eu indique ele para quem anda pensando sobre futuro. Sobre escolhas grandes. Sobre o tipo de amor que vale a pena construir.
Porque no fundo, esse filme não fala sobre morrer.
Fala sobre como você quer ter vivido quando chegar a sua vez.

menos ilusão & mais direção ✨
Os próximos quinze dias trazem uma energia de ajuste consciente. Não é um céu caótico, mas é um céu que exige maturidade. Mercúrio ativa revisões importantes: pensamentos que estavam confusos começam a se organizar, mas junto com essa clareza vem a responsabilidade sobre o que você decide comunicar e sustentar. Palavras agora constroem pontes — ou encerram ciclos.
Vênus passa por um momento de refinamento emocional. Relações entram em filtro natural. O que é projeção começa a perder encanto, o que é real ganha profundidade. Esse não é um período para se iludir, mas para enxergar com honestidade onde existe reciprocidade e onde existe apenas expectativa.
Ao mesmo tempo, Marte traz firmeza estratégica. A energia de ação não está impulsiva, está calculada. Você pode sentir menos paciência para situações que drenam sua vitalidade e mais coragem para cortar excessos. É um trânsito que favorece decisões práticas: organizar rotina, redefinir prioridades, assumir uma postura mais posicionada.
Saturno continua lembrando que toda escolha tem consequência. O que você estrutura agora tende a ganhar estabilidade nos próximos meses. Se algo estiver frágil, a fragilidade aparece não para punir, mas para mostrar onde falta base.
No geral, o céu desses quinze dias fala sobre sair do automático. Sobre parar de aceitar por conveniência e começar a escolher por consciência. Existe menos espaço para fantasia e mais necessidade de direção.
Dica astrológica ✨ observe onde você está sustentando algo apenas por hábito. O céu favorece conversas honestas, cortes necessários e decisões alinhadas com quem você quer se tornar — não com quem você já foi.
Às vezes, evolução não é começar algo novo.
É ter coragem de parar o que já não faz sentido.

“Saying no
is a quiet kind of power.
It doesn’t close the world —
it defines your shape within it.
Every yes to everything
makes you smaller.
Every no
draws a line
around what matters.
Not rejection.
Selection.
And sometimes,
choosing yourself
is the most important answer.“

Eu uso o Instagram do My notes como daily para garotas.
hi, i’m the girl :)que já viveu muitas versões de si. Sou advogada, já fui modelo, hoje influenciadora — mas, acima de tudo, uma eterna observadora do mundo. Amo escrever, viajar, viver outras rotinas por um tempo e, principalmente, conhecer pessoas. Conhecer de verdade, sabe? Entender o que move cada uma, o que sonha, o que sente. Essa newsletter nasceu desse desejo: transformar o que vejo, vivo e penso em palavras que te toquem também. Entre looks, filmes, astrologia, desabafos e dicas, tem sempre um pouco de mim aqui. E espero que você se veja um pouco também. ♡ |






